quinta-feira, 11 de julho de 2013

O grito dos excluídos



Com um certo atraso...

Há tempos eu tinha a convicção de que o povo brasileiro era apático, passivo e conformado. Durante muito tempo tive todas as razões do mundo para reiterar a minha opinião, porém, as últimas semanas foram recheadas de doces mordidas de língua para mim. Fico até impossibilitado de explicitar o tamanho da minha alegria diante da onda de manifestações que estão acontecendo. Claro, a união faz a força, e era exatamente essa união que faltava ao povo brasileiro. Durante muitos anos ficou adormecido, mas nunca é tarde para acordar e gritar suas dores. E o mais bonito de tudo é ver o povo do país do futebol gritar aos quatro cantos que não quer Copa do Mundo, mas sim, segurança, hospitais e escolas de qualidade. Foi lindo, emocionante! É essa a verdadeira cara da democracia.

Porém, o triste é ter em mente que tudo se iniciou como um ato político que tomou proporções exageradas e, o mais importante, organizada! E nem vou perder tempo em falar dos atos de vandalismo feito, felizmente, por pequenos grupos, ora para explicitar sua imbecilidade e ignorância, ora para desestabilizar as manifestações. O fato é que desta vez, diferente do tal movimento cara pintada em que vários jovens saíram às ruas, manipulados por partidos de esquerda reivindicando algo que eles mal sabiam o que era, o povo sabia o que queria e, diante da sua vitória, tratou logo de engatar outras reivindicações, lutar por outros objetivos.

Assim se constrói uma democracia. Se o governo não age de forma a suprir as necessidades básicas do povo, este tem o direito e o deve de sair às ruas e se fazer ouvido. Porém, não podemos ficar felizes como um todo. Sabemos que ainda existe uma grande parte do nosso povo vivendo em condições miseráveis e o que se viu nessas manifestações foi a nova classe média nas ruas sem o apoio das classes mais baixas que muitas vezes preferem se calar por detrás de Bolsas Família e afins.  O que ainda temos que lutar é para haver uma união da sociedade como um todo, principalmente entre as classes mais baixas. E a hora é essa!

E os frutos já estão sendo colhidos. Passagens mais baixas, PEC 37 arquivada e corrupção como crime hediondo o que, aliás, eu já defendia há muito tempo. Mas prefiro falar sobre isso numa próxima postagem. O fato é que ainda temos muito o que lutar, mas essas primeiras vitórias já valem para percebermos que, com união e luta, podemos alcançar muito mais. A hora é de organização e mais mobilizações, pois uma democracia se faz com povo ativo e políticos ouvintes e atuantes.

2 comentários:

  1. Concordo em gênero, número e grau. Espero apenas que essa indignação e esse despertar não sejam mais uma fagulha e sim o início de uma chama que nunca se apaga. Que essa indignação manifeste-se principalmente nas urnas, ano que vem e nesse período, mais do que em qualquer outro a história seja reescrita

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