segunda-feira, 27 de outubro de 2014

A hipocrisia democrática brasileira



Como sempre faço questão de dizer, sou uma pessoa apartidária e por isso me sinto a vontade para comentar certas coisas que não concordo. O resultado final das eleições presidenciais desencadeou um grande número de postagens ofensivas e preconceituosas nas redes sociais. Ao ler algumas delas, me coloquei a pensar sobre a hipocrisia que rege a mente de nosso povo. Ainda que nossa tal democracia nos garante o direito à hipocrisia, é lamentável vê-la tão aflorada e explícita nas bocas e palavras de tantos aspirantes a pseudo-intelectuais.

É no mínimo ignorância - para não dizer burrice - tantas postagens do tipo "agora vou fazer o cadastro do Bolsa Família" e coisas do tipo, até porque, este é um programa criado ainda durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, portanto, PSDB, partido de Aécio Neves, que foi apenas melhorado - ou não - pelo seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva. Logo, alguém que não vota no PT devido ao programa, também não pode votar no PSDB que foi seu criador.

Logo, qualquer insulto a um nordestino é no mínimo um tiro no pé da boa vida que alguns desses abomináveis preconceituosos insistem em bradar ter. Oras, todos sabemos que o sudeste, região mais rica de nosso território, foi construída pelos nordestinos. Assim sendo, se hoje você vive em uma cidade cercada de prédios e avenidas, com vasta infraestrutura, agradeça aos nossos irmãos do Nordeste e, se não o faz, considere-se um podre de um mal agradecido.

Enfim, a parte mais ridícula de toda essa história é que Aécio Neves está sendo colocado como o novo Jesus Cristo. Pelo que leio nas postagens de amigos, inclusive, é que a vitória da Dilma representa a falência de nosso país. Mais uma vez ressalto que sou apartidário, mas acreditar nisso é mais que burrice. Alguém poderia me citar algum de nossos ex-presidentes que transformou o Brasil em uma "Suiça" das Américas onde todos andam tranquilos pelas ruas, tem saúde e educação de qualidade, bons salários e um baixíssimo índice de corrupção? Me poupem, Dilma por Aécio, Aécio por Dilma é trocar seis por meia dúzia. Nenhuma governo é por inteiro mau, muito menos por inteiro bom. Óbvio que o partido A pode ter uma política mais voltada as classes mais baixas e o partido B voltada à classes mais abastadas, mas democracia é isso. A maioria vence e a minoria deve pagar para ver fiscalizando o Poder. Ou alguém aí está a fim de voltar à época da ditadura?

Mas o que vejo é a existência de um antipetismo baseado em uma concepção genocida onde o PT representa os pobres e o PSDB os ricos. E alguém já viu algum brasileiro admitir que é pobre, mesmo sendo? Posso dizer que em 99% dos discursos "antidilmistas" são de pessoas se colocando na parte mais favorável da pirâmide e execrando a política assistencialista petista. É lamentável! A opção por "A" ou por "B" deve se dar por propostas apresentadas - e elas não se diferem tanto de um partido para outro - não por modismos. E não me venham com a desculpa de que o governo "A" roubou mais que o governo "B". Não existe erro maior ou pior, existe erro e ambos, maiores ou menores, devem ser punidos da mesma forma e com o mesmo rigor. Ou você acha que o "Maníaco do Parque" é mais confiável do que o "Serial Liller de Goiânia" só pelo fato de ter matado menos gente? Assim sendo, o correto é, se ambos partidos se envolveram em algum momento em escândalos de corrupção, não devemos votar seja num, seja noutro.

Por fim, é tanta hipocrisia junta que me causa náuseas. Tantos gritos de "queremos mudança" em vão. Brasileiro gosta é de ser hipócrita, é de causar. Na prática, se essa vontade de mudança realmente existisse, jamais teríamos um segundo turno entre PT e PSDB. Mas como votamos em nomes famosos e modismos, teremos continuar a sonhar como "Alice". Melhor continuarmos a orar, pois o Messias ainda deve demorar um pouco a voltar. Ou estou errado?

quinta-feira, 11 de julho de 2013

O grito dos excluídos



Com um certo atraso...

Há tempos eu tinha a convicção de que o povo brasileiro era apático, passivo e conformado. Durante muito tempo tive todas as razões do mundo para reiterar a minha opinião, porém, as últimas semanas foram recheadas de doces mordidas de língua para mim. Fico até impossibilitado de explicitar o tamanho da minha alegria diante da onda de manifestações que estão acontecendo. Claro, a união faz a força, e era exatamente essa união que faltava ao povo brasileiro. Durante muitos anos ficou adormecido, mas nunca é tarde para acordar e gritar suas dores. E o mais bonito de tudo é ver o povo do país do futebol gritar aos quatro cantos que não quer Copa do Mundo, mas sim, segurança, hospitais e escolas de qualidade. Foi lindo, emocionante! É essa a verdadeira cara da democracia.

Porém, o triste é ter em mente que tudo se iniciou como um ato político que tomou proporções exageradas e, o mais importante, organizada! E nem vou perder tempo em falar dos atos de vandalismo feito, felizmente, por pequenos grupos, ora para explicitar sua imbecilidade e ignorância, ora para desestabilizar as manifestações. O fato é que desta vez, diferente do tal movimento cara pintada em que vários jovens saíram às ruas, manipulados por partidos de esquerda reivindicando algo que eles mal sabiam o que era, o povo sabia o que queria e, diante da sua vitória, tratou logo de engatar outras reivindicações, lutar por outros objetivos.

Assim se constrói uma democracia. Se o governo não age de forma a suprir as necessidades básicas do povo, este tem o direito e o deve de sair às ruas e se fazer ouvido. Porém, não podemos ficar felizes como um todo. Sabemos que ainda existe uma grande parte do nosso povo vivendo em condições miseráveis e o que se viu nessas manifestações foi a nova classe média nas ruas sem o apoio das classes mais baixas que muitas vezes preferem se calar por detrás de Bolsas Família e afins.  O que ainda temos que lutar é para haver uma união da sociedade como um todo, principalmente entre as classes mais baixas. E a hora é essa!

E os frutos já estão sendo colhidos. Passagens mais baixas, PEC 37 arquivada e corrupção como crime hediondo o que, aliás, eu já defendia há muito tempo. Mas prefiro falar sobre isso numa próxima postagem. O fato é que ainda temos muito o que lutar, mas essas primeiras vitórias já valem para percebermos que, com união e luta, podemos alcançar muito mais. A hora é de organização e mais mobilizações, pois uma democracia se faz com povo ativo e políticos ouvintes e atuantes.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Uma fé pagã

Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida

Depois de quase 2 anos sem nenhuma postagem, estou de volta à ativa. Vamos ver se agora consigo ter tempo disponível para voltar a ter uma certa regularidade nas postagens.Bom, para este meu retorno, resolvi falar sobre algo que vivi neste último final de semana.Domingo passado, viajei com meu cunhado, cunhada, alguns amigos e minha esposa e filha para a cidade de Aparecida do Norte, localizada no Vale do Paraíba, a cerca de 170 km da capital paulista. Cidade que recebe anualmente cerca de 10 milhões de visitantes atraídos pela nova basílica de Nossa Senhora Aparecida, onde está localizada a imagem de Nossa Senhora Aparecida encontrada no rio Paraíba em 1717 e, desde então, vem conquistando milhares de devotos. E dentre esses milhares de visitantes lá estava eu. Não porque eu seja devoto da santa ou um católico fervoroso,mesmo porque, tenho inúmeras discordâncias em relação a Igreja Católica, mas considero que qualquer Casa de Deus é destinada às pessoas que creem Nele, independente da religião que seguem.

E lá estávamos em meio a milhares de pessoas que tinham que tinham como objetivo principal agradecer as bênçãos recebidas e/ou realizar pedidos de novas bênçãos. Claro, eu estava ali com ambos objetivos, mas isso não me impediu de lançar meu olhar jornalístico sobre tudo que estava visível aos meus olhos. E o que percebi é que toda a fé que envolve a cidade, em especial, a basílica nova, é mais pagã do que religiosa. A grandiosidade da basílica impressiona, porém parece que tudo foi pensado exatamente para isso, impressionar. Claro, nem só de impressões vive a cidade, e é aí que entra o paganismo de forma mais nítida. Logo à frente da basílica encontra-se um grande shopping popular, onde podemos encontrar de tudo, muito além dos artigos religiosos. Ao lado, encontramos um parque de diversões onde podemos até viver a emoção de andar numa montanha-russa.O que me parece é que toda aquela estrutura não tem a intenção de atrair visitantes somente com a religiosidade como intenção, mas também para o consumo. Pois é, há tempos as religiões descobriram a fórmula mágica da “religião + consumo = dinheiro”. Claro, não estou dizendo que isso tudo seja mortalmente errado e muito menos blasfemar contra tal símbolo católico, mas hoje em dia torna-se impossível não relacionar a igreja com o consumo. 

Evidente que a igreja precisa de dinheiro para sobreviver, porém, muitas vezes parece que a fé é mais pagã do que religiosa e essa necessidade de sobrevivência extrapola o limite do necessário.O que senti nesta última visita é que cada vez mais busca-se a intenção de que o fiel vá, reze, aproveite para fazer algumas compras, faça uma refeição, brinque no parque de diversões, enfim, gaste o máximo que puder. E quem lucra com isso? Talvez essa seja a razão principal por eu estar tão descrente com as religiões de um modo geral. O que sinto é que vivemos hoje num grande “mercado da fé”, onde a principal maneira de você demonstrar o tamanho da sua fé é no quanto você gasta com “produtos divinos”. Talvez seja porque a fé se tornou um grande negócio e isso acontece nas religiões como um todo, seja na igreja católica, evangélica, espírita, enfim, quase todas.Mas, no meio de tudo isso, o que vale mesmo é aquilo que temos dentro do coração. Afinal, a fé não é e jamais deve ser virtude dos mais abastados e o recebimento de bênçãos nunca foi e jamais será retorno de algum investimento monetário. Porém, tais situações me fazem pensar se existe fé sem paganismo. Me parecem duas coisas distintas, mas que andam sempre lado a lado. Por isso, levo ao pé da letra aquele velho e conhecido refrão, “fé em Deus e pé na tábua”!

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Menos corrupção, menos impostos


Após pouco mais de 3 meses sem nenhuma nova postagem, cá estou para mais uma. E estava aqui pensando sobre o que escrever, quando resolvi dar uma passa pelo site do Impostômetro (http://www.impostometro.com.br/), que mede o valor pago em impostos pelos brasileiros em impostos. O número tem poucas casas, apenas 15. Muito me impressionou - para não dizer que revoltou - verificar que os brasileiros, até o momento em que olhei a página pela última vez por volta das 11h28 (deixando de lado os segundos) de hoje (30/11/2011), pagou nada menos que R$ 1.329.201.116.683,60. O mais engraçado foi eu ter sido obrigado a apelar para o "Print Screen" (conforme a imagem que ilustra este post logo acima) para poder aqui registrar um número real do site, isso porque, a cada fração de segundos, o marcador gira incessantemente. Seria até uma situação engraçada, não fosse nosso rico dinheirinho, que ganhamos com tanto suor e honestidade, estar em jogo.

Todos buscam uma razão para um país tão grande e rico cobrar tantos impostos e mesmo assim não ter educação e saúde de qualidade. Talvez a resposta esteja em frente aos nossos olhos, mas infelizmente muitos não a enxergam ou preferem não enxergar. Me corrijam se estou errado, mas você sabe por que pagamos tantos impostos? Eu respondo, pagamos todo esse trilhão graças à CORRUPÇÃO. Não vejo outra explicação para tantos tributos. 
Vou explicar minha tese a vocês. É fato que o Brasil é um dos países mais corruptos do mundo, basta folhar os jornais e assistir aos telejornais para comprovar que, a cada dia, uma nova notícia de CORRUPÇÃO está em destaque e um novo político (ou um mesmo) está sob investigação ou em processo de cassação (o que quase sempre acaba dando em pizza, pois a política é uma grande panela e ninguém vai querer cassar um político, ainda que seja de um adversário e correr o risco de que este conte os seus podres também). Então, pensemos juntos: se nossos "amados" políticos tivessem caráter e deixassem a corrupção de lado, vivendo apenas com o gordo salário que ganham (ainda que acrescidos todos auxílios e verbas) e passando a não desviar mais dinheiro público, não haveria a necessidade de tantos impostos. 

O que percebo, é que a quantidade de impostos se deve ao fato do dinheiro não chegar ao seu destino correto. Logo, se a verba não chega por ter sido desviada para o bolso de alguém no meio do caminho, há a necessidade de repor o dinheiro para que alguém saia no lucro. Assim sendo, o grande número de impostos se deve ao fato do brasileiro ser obrigado (isso porque vivemos numa democracia) a pagar o valor referente a preservação e manutenção dos seus direitos (educação, saúde, água, esgoto...) e também a verba desviada. Vou simplificar meu pensamento. É mais ou menos como se você comprasse uma televisão por R$ 1.500,00 na loja, mas ainda tivesse que pagar uma taxa de mais R$ 1.000,00 ao ladrão para que ele não te assalte durante o caminho e permita que você chegue em casa com o bem adquirido. Logo, aquela televisão de R$ 1.500,00 vai sair por R$ 2.500,00. Pois bem, é mais ou menos assim que a coisa funciona. Se você não tivesse que pagar ao ladrão para chegar até sua casa e ter o direito de usufruir do bem, você gastaria bem menos. Porém, a tv chegaria inteira e em bom estado na sua residência, mas mesmo pagando todos os impostos que nos é cobrado, não temos serviços de qualidade. Ou seja, não temos boas escolas públicas, bons hospitais, bom serviço de água, esgoto, e por aí vai.

Mas quando será que vamos nos tocar disso? Quando vamos nos tocar que o que pagamos não são impostos, mas sim, "taxas" para ladrões? E quando será que vamos nos unir e cobrar efetivamente o fim da CORRUPÇÃO? Será que só conseguimos reunir grande número de pessoas para sair às ruas quando é para reivindicar a liberação da maconha? Até quando continuar sentados, com a boca cheia de dentes achando tudo lindo e maravilhoso, que tá ruim, mas tá bom?
Bom, enquanto o conformismo dos brasileiros continuar seu império, vamos pagando um troquinho aqui, outro acolá para assistir a novela na televisão nova.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

É preciso saber viver

Talvez vocês estranhem esse post, ainda mais pelo fato de eu ter ficado tanto tempo ausente de postagens. Claro que foi por um excelente motivo, o nascimento da minha filha. Aliás, meu post anterior foi justamente devido ao seu nascimento. Mas a razão do post de hoje, assim como seu conteúdo se difere dos anteriores, mesmo porque não tenho a intenção de fazer uma crítica ou um comentário, mas sim, um desabafo, uma reflexão, que espero servir de alerta, talvez, a todos vocês.

Bom, acabo de chegar do enterro do pai de um super amigo meu, que depois de tantos anos de amizade já se tornou um irmão. Seu pai, corinthiano roxo, era uma figura rara, cheio de histórias e piadas. Era impossível não dar boas gargalhadas ao seu lado e talvez essa tenha sido sua maior herança que meu amigo preservara muito bem, uma vez que é um comediante nato. Mas sua partida foi precoce aos 57 anos de idade, levando em conta a expectativa de vida atual.

Ao pensar em seu legado e em tudo que viveu e conquistou, comecei a refletir sobre o que fazemos de nossas vidas. Quantas noites deixamos de dormir pensando no que deixamos de fazer, quando o que deveríamos fazer era um balanço daquilo que fizemos, do que aprendemos com nossos atos. Quantas horas, dias, meses deixamos de viver se preocupando com coisas desnecessárias.

Quando somos jovens, muitas vezes perdemos tempo precioso de nossa com diversões vazias, com atitudes que nada vão acrescentar ou fazermos crescer. Ao se tornar adultos, ao invés de nos preocuparmos em dividir melhor nosso tempo, dedicamos mais tempo para o trabalho, para ganhar mais dinheiro e esquecemos que temos que ter tempo também para usufruir dele. Numa relação amorosa, muitas vezes ambos não se entendem e acabam se magoando e se estressando, jogando fora tempo que poderiam fazer programas mais agradáveis, mas românticos ou até mesmo bater um bom papo, fazer planos.

Nem quando nossos filhos nascem conseguimos aproveitar a vida que temos. Em alguns momentos fazemos horas extras, arrumamos um segundo emprego, tudo isso para dar mais conforto aos nossos filhos, para dar aquele brinquedo caro que ele pediu no Natal e não percebemos que nesses momentos poderíamos estar vendo eles crescerem, ouvindo eles dizerem as primeiras palavras, dar seus primeiros passos, porque esses momentos se vão não voltam nunca mais e é isso que levaremos para o resto da vida.

O ser humano às vezes parece não gostar de viver. Parece não dar o devido valor à vida. E a vida é tão curta. Aliás, é curtíssima, até mesmo porque não sabemos quanto tempo ela durará. Quando Renato Russo disse que “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã” ele não estava apenas fazendo um verso, uma música, ela estava fazendo um alerta. Chega de deixar tudo para amanhã. Chega de deixar de fazer aquilo que nos faz bem. Chega de esperar para estar perto das pessoas que gostamos. Mas, chega também de gastar nosso tempo com aquilo que não tem necessidade. Chega de ter atitudes que não acrescente nada em nossa vida. Chega de deixar de viver.

O que me deixa mais tranqüilo hoje lá no enterro foi saber que ele viveu talvez tudo que queria viver. Mesmo tendo apenas 57 anos de vida, teve tempo de viver loucas histórias, grandes desafios e pode conquistar grandes vitórias. Se foi, mas deixou sua marca. E nós, o que vivemos? O que construímos? Se a morte batesse a nossa porta amanhã, o que deixaremos? Qual será o nosso legado? Você já pensou nisso?

É preciso viver, é preciso saber viver. Chega de desperdiçar tempo, viva!

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Nota de desculpas

Gostaria de pedir desculpas aos meus leitores pela demora na publicação de novos posts.
Infelizmente, por problemas pessoais, estive impossibilitado de escrever nas últimas semanas, mas na próxima quinta-feira (08/09/2011) tem post novo.
Aproveito ainda para agradecer a você, leitor, pela visita e comentários.


Um forte abraço!
Joca Rezen

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Crianças ou mini adultos?

Finalmente encontrei um tempo para escrever o post desta semana. A causa do atraso foi o nascimento da minha filha Lavínia no último dia 01 de agosto. Como não poderia deixar de ser, estou há mais de uma semana babando e corujando minha linda filhota. Porém, tal fato me fez refletir um pouco sobre o mundo que estamos deixando para nossos filhos.
Lembro-me bem da minha infância quando acordava cedo para assistir os infantis matutinos. E realmente eles eram muitos: Catavavento, Bambalalão, Bozo, Atchim & Espirro, Balão Mágico, Clube da Criança, Daniel Azulay e tantos outros. Parecia que as redes de televisão se preocupavam em proporcionar às crianças a ingenuidade que lhes era de direito. Criança queria saber de palhaço, desenhos animados pastelões, brinquedos de montar, de jogar futebol na rua, enfim, de coisas de criança. Mas será que minha filha terá a mesma infância ingênua e lúdica que tive? A resposta é não!
Infelizmente, a mídia de uma forma geral aprendeu a ver a criança como consumidor em potencial e direciona a elas todo o seu empenho para trazê-las para um mundo consumista. Claro que os pais têm sua parcela de culpa, pois andam cada vez mais focados no trabalho deixando seus filhos mais tempo expostos à tv em canais onde a programação é toda voltada a elas. E o que não percebem é que o fato de um canal ser exclusivamente infantil não quer dizer que ele tenha necessariamente uma programação de qualidade para crianças.  Podemos perceber isso principalmente pelos desenhos animados atuais. A violência está cada vez mais explícita neles. O que me parece é que esses desenhos estão mais preocupados em criar crianças menos ingênuas do que em entreter, divertir.
Talvez esse pensamento tenha feito tantos canais abertos dispensarem menos tempo aos programas infantis. Agora, o espaço antes destinado às crianças é ocupado por programas de culinária, variedades e noticiários matinais. Felizmente, ainda existe a TV Cultura que se preocupa com o segmento e o SBT que agora resolveu resgatar a figura do palhaço com a dupla Patati & Patatá. Porém a Rede Globo e RedeTV optam ainda por uma mescla de desenhos onde aqueles que sugerem a violência acabam alavancando mais a audiência. Mas isso ainda não é tudo, pois no caso da Globo esses desenhos são precedidos de seus apresentadores aborrecentes que muitas vezes abordam assuntos como namoro, paquera, que nada tem a ver com o mundo infantil. Claro que não podemos esquecer do SBT onde seu apresentador oriental faz uso de uma fala “cantada” e gírias dignas de qualquer “mano” que se preze.
E o que falar da música infantil. Quase não me recordo de artistas que se dedicam a esse segmento musical nos dias de hoje. Talvez porque as crianças de hoje consumem mais Restart, Justin Bieber e afns, além de funks cariocas. Pois é, mais fácil encontrar uma criança de 7 anos que sabe a letra de um funk do que alguma que cante uma música do Palavra Cantada. É, mas não adianta jogar a culpa só para a tv, os pais são os grandes responsáveis por esse amadurecimento precoce de seus filhos. Afinal, são os pais quem escolhem o que seus filhos vão assistir e ouvir. Não é muito difícil encontrar pais que vêem seus filhos cantando e fazendo a coreografia do “Créu” e acham engraçadinho, lindo. Se você é um pai ou mãe que tem essa reação ao ver seu filho ou filha cantando e dançando esse tipo de música, você também está ajudando seus filhos a perderem a ingenuidade, a se transformarem em adultos antes do tempo e a acelerarem sua sexualidade. Porque não pensem que uma criança de 8, 9, 10 anos não têm malícia, que estarão muito enganados. Nessa idade, e até antes disso, a criança já aprende ver que determinados movimentos e atitudes deixam as do sexo oposto mais inquietas e alvoroçadas e isso implica na sua sexualidade aflorada precocemente.
O mesmo acontece com as roupas. Parece que os pais de hoje vestem seus filhos de mini adultos e não de crianças. Todas essas atitudes ajudam as crianças a serem menos crianças e a aproveitarem com menos intensidade a fase mais importante da vida de um ser humano. Digo isso porque é na infância que se forma o caráter e tantas outras características que a criança levará pro resto da vida. Já está mais que na hora de pararmos de pensar que criança não tem maldade, que não entende nada. Esses pensamentos só desviam o caráter de seres que mal começaram a viver.
Por isso, pais e mães devem pensar muito bem na criação de seus filhos e como eles devem interagir de forma sadia com o mundo atual. Limites nunca são demais, mas é bom se atentar no que oferecem aos seus filhos. Não se iluda a esse pensamento egoísta de que “meu filho vai ter o que eu puder dar a ele”, porque criança nenhuma quer só o que o pai e a mãe podem dar. Crianças, independente de sua classe social, são todas iguais. Todas gostam de iogurte, chocolate, doces, bolachas, salgadinhos, todas querem brinquedos de controle remoto, de montar e desmontar e todas querem ir pro parque de diversões e, na medida do possível, os pais têm que oferecer esses mimos aos seus filhos. Mas devem se atentar que não podem dar tudo e nem dar pouco. Tudo tem que ter sua dosagem certa para que seja benéfico. O quanto vão dar e de que forma vão dar pode impedir que você crie uma Suzane von Richthofen ou um Fernandinho Beira-Mar. Tudo na medida certa como forma de recompensa por algo bom que fez, limites, castigos quando preciso e muito carinho e amor são imprescindíveis para que seus filhos aproveitem a infância de forma sadia e sejam excelentes adultos. Mas o mais importante é ter a quantidade de filhos que o seu bolso lhe permite. Colocar filhos no mundo sem condições na esperança da caridade alheia é desumano, é cruel! Hoje os métodos contraceptivos e as informações são muitos e não cola mais a expressão “Deus mandou, a gente cria”.
Amizades erradas não desviam o caráter de ninguém se a pessoa teve uma boa criação. Creditar o comportamento de um filho ou filha a uma amizade nada mais é do que assumir o próprio erro e incompetência. Outro mito é o da escola. A escola não tem obrigação de dar educação a nenhuma criança. Seu papel é simplesmente o de dar orientação, direção e estudo. A criança que não aprende a ser cidadão em casa dificilmente será recuperada na escola. Assuma a condição de pai e mãe sabendo dos riscos e já os minimizando desde cedo. Nunca jogue a responsabilidade de criar e educar a uma instituição. Tenha plena ciência de seus deveres, obrigações e condutas, pois somente assim poderemos oferecer um mundo melhor aos nossos filhos e fazer com que eles tenham discernimento para escolher entre o bem e o mal. Crie seus filhos com amor e carinho, somente assim podemos concretizar o desejo de vivermos em um mundo mais justo, com menos desigualdade e de paz plena.
E pronto!