quarta-feira, 12 de junho de 2013

Uma fé pagã

Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida

Depois de quase 2 anos sem nenhuma postagem, estou de volta à ativa. Vamos ver se agora consigo ter tempo disponível para voltar a ter uma certa regularidade nas postagens.Bom, para este meu retorno, resolvi falar sobre algo que vivi neste último final de semana.Domingo passado, viajei com meu cunhado, cunhada, alguns amigos e minha esposa e filha para a cidade de Aparecida do Norte, localizada no Vale do Paraíba, a cerca de 170 km da capital paulista. Cidade que recebe anualmente cerca de 10 milhões de visitantes atraídos pela nova basílica de Nossa Senhora Aparecida, onde está localizada a imagem de Nossa Senhora Aparecida encontrada no rio Paraíba em 1717 e, desde então, vem conquistando milhares de devotos. E dentre esses milhares de visitantes lá estava eu. Não porque eu seja devoto da santa ou um católico fervoroso,mesmo porque, tenho inúmeras discordâncias em relação a Igreja Católica, mas considero que qualquer Casa de Deus é destinada às pessoas que creem Nele, independente da religião que seguem.

E lá estávamos em meio a milhares de pessoas que tinham que tinham como objetivo principal agradecer as bênçãos recebidas e/ou realizar pedidos de novas bênçãos. Claro, eu estava ali com ambos objetivos, mas isso não me impediu de lançar meu olhar jornalístico sobre tudo que estava visível aos meus olhos. E o que percebi é que toda a fé que envolve a cidade, em especial, a basílica nova, é mais pagã do que religiosa. A grandiosidade da basílica impressiona, porém parece que tudo foi pensado exatamente para isso, impressionar. Claro, nem só de impressões vive a cidade, e é aí que entra o paganismo de forma mais nítida. Logo à frente da basílica encontra-se um grande shopping popular, onde podemos encontrar de tudo, muito além dos artigos religiosos. Ao lado, encontramos um parque de diversões onde podemos até viver a emoção de andar numa montanha-russa.O que me parece é que toda aquela estrutura não tem a intenção de atrair visitantes somente com a religiosidade como intenção, mas também para o consumo. Pois é, há tempos as religiões descobriram a fórmula mágica da “religião + consumo = dinheiro”. Claro, não estou dizendo que isso tudo seja mortalmente errado e muito menos blasfemar contra tal símbolo católico, mas hoje em dia torna-se impossível não relacionar a igreja com o consumo. 

Evidente que a igreja precisa de dinheiro para sobreviver, porém, muitas vezes parece que a fé é mais pagã do que religiosa e essa necessidade de sobrevivência extrapola o limite do necessário.O que senti nesta última visita é que cada vez mais busca-se a intenção de que o fiel vá, reze, aproveite para fazer algumas compras, faça uma refeição, brinque no parque de diversões, enfim, gaste o máximo que puder. E quem lucra com isso? Talvez essa seja a razão principal por eu estar tão descrente com as religiões de um modo geral. O que sinto é que vivemos hoje num grande “mercado da fé”, onde a principal maneira de você demonstrar o tamanho da sua fé é no quanto você gasta com “produtos divinos”. Talvez seja porque a fé se tornou um grande negócio e isso acontece nas religiões como um todo, seja na igreja católica, evangélica, espírita, enfim, quase todas.Mas, no meio de tudo isso, o que vale mesmo é aquilo que temos dentro do coração. Afinal, a fé não é e jamais deve ser virtude dos mais abastados e o recebimento de bênçãos nunca foi e jamais será retorno de algum investimento monetário. Porém, tais situações me fazem pensar se existe fé sem paganismo. Me parecem duas coisas distintas, mas que andam sempre lado a lado. Por isso, levo ao pé da letra aquele velho e conhecido refrão, “fé em Deus e pé na tábua”!

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