Talvez vocês estranhem esse post, ainda mais pelo fato de eu ter ficado tanto tempo ausente de postagens. Claro que foi por um excelente motivo, o nascimento da minha filha. Aliás, meu post anterior foi justamente devido ao seu nascimento. Mas a razão do post de hoje, assim como seu conteúdo se difere dos anteriores, mesmo porque não tenho a intenção de fazer uma crítica ou um comentário, mas sim, um desabafo, uma reflexão, que espero servir de alerta, talvez, a todos vocês.
Bom, acabo de chegar do enterro do pai de um super amigo meu, que depois de tantos anos de amizade já se tornou um irmão. Seu pai, corinthiano roxo, era uma figura rara, cheio de histórias e piadas. Era impossível não dar boas gargalhadas ao seu lado e talvez essa tenha sido sua maior herança que meu amigo preservara muito bem, uma vez que é um comediante nato. Mas sua partida foi precoce aos 57 anos de idade, levando em conta a expectativa de vida atual.
Ao pensar em seu legado e em tudo que viveu e conquistou, comecei a refletir sobre o que fazemos de nossas vidas. Quantas noites deixamos de dormir pensando no que deixamos de fazer, quando o que deveríamos fazer era um balanço daquilo que fizemos, do que aprendemos com nossos atos. Quantas horas, dias, meses deixamos de viver se preocupando com coisas desnecessárias.
Quando somos jovens, muitas vezes perdemos tempo precioso de nossa com diversões vazias, com atitudes que nada vão acrescentar ou fazermos crescer. Ao se tornar adultos, ao invés de nos preocuparmos em dividir melhor nosso tempo, dedicamos mais tempo para o trabalho, para ganhar mais dinheiro e esquecemos que temos que ter tempo também para usufruir dele. Numa relação amorosa, muitas vezes ambos não se entendem e acabam se magoando e se estressando, jogando fora tempo que poderiam fazer programas mais agradáveis, mas românticos ou até mesmo bater um bom papo, fazer planos.
Nem quando nossos filhos nascem conseguimos aproveitar a vida que temos. Em alguns momentos fazemos horas extras, arrumamos um segundo emprego, tudo isso para dar mais conforto aos nossos filhos, para dar aquele brinquedo caro que ele pediu no Natal e não percebemos que nesses momentos poderíamos estar vendo eles crescerem, ouvindo eles dizerem as primeiras palavras, dar seus primeiros passos, porque esses momentos se vão não voltam nunca mais e é isso que levaremos para o resto da vida.
O ser humano às vezes parece não gostar de viver. Parece não dar o devido valor à vida. E a vida é tão curta. Aliás, é curtíssima, até mesmo porque não sabemos quanto tempo ela durará. Quando Renato Russo disse que “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã” ele não estava apenas fazendo um verso, uma música, ela estava fazendo um alerta. Chega de deixar tudo para amanhã. Chega de deixar de fazer aquilo que nos faz bem. Chega de esperar para estar perto das pessoas que gostamos. Mas, chega também de gastar nosso tempo com aquilo que não tem necessidade. Chega de ter atitudes que não acrescente nada em nossa vida. Chega de deixar de viver.
O que me deixa mais tranqüilo hoje lá no enterro foi saber que ele viveu talvez tudo que queria viver. Mesmo tendo apenas 57 anos de vida, teve tempo de viver loucas histórias, grandes desafios e pode conquistar grandes vitórias. Se foi, mas deixou sua marca. E nós, o que vivemos? O que construímos? Se a morte batesse a nossa porta amanhã, o que deixaremos? Qual será o nosso legado? Você já pensou nisso?
É preciso viver, é preciso saber viver. Chega de desperdiçar tempo, viva!

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